sábado, 5 de julho de 2008

ESTE BLOG MUDOU-SE...

A partir de 05/07/2008, as publicações deste blog passarão a ser postadas no blog:
http://www.metagnose.blogspot.com/.

Venha e veja!
Um grande abraço,
Henrique Lemos

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Eu voltei! E sem precisar de livros de auto-ajuda.

“Certa manhã experimentei um momento terrível. Tentei lembrar quantas vezes entre 1987 e 2008 eu havia chorado pelos assassinos do garoto João Hélio, da menina Maria Cláudia, do índio Galdino, do ambientalista Chico Mendes... tentei lembrar quantas vezes chorei pelo maníaco do parque, ou pelo Fernandinho Beiramar... quantas vezes chorei por assassinos em massa como: George W. Bush, Osama Bin Laden, Hitler...? Não lembrei uma sequer. Então chorei, não por eles, mas por mim mesmo. Por sentir que alguém chora todos os dias por mim, e também, por todos eles.” Brennan Manning, com modificações.

A se tivéssemos lido os tais livros de “auto-ajuda”... Talvez a dor que nós causamos aos outros não afetassem a nós mesmos. Como um bumerangue, assim é a culpa. Há de convir que alguns bumerangues não retornam as nossas mãos nos dando oportunidade de lançá-los outra vez. Às vezes é explícito - aos olhos até do mais insensível ser - que o tal bumerangue se torna algo um tanto temperamental. Já não atendendo ao seu curso natural resolve retornar não mais se entregando às mãos de seu lançador, e sim nessa nova oportunidade que têm resolve atingi-lo de forma rápida, eficaz e mortal. Tal como fazem todos aqueles “heróis” que não tenho mais saco pra assistir no cinema. Sim, eu sei bem que os tais “heróis” não usam bumerangues. Mas é porque o diretor do Rambo ainda não leu esse texto. E tomara que não leia. Imagina só o Sylvester Stallone matando 5000 homens com um bumerangue!!! Antes disso ele teria matado a mim! De raiva! Pela 3ª vez! Ou seria 4ª?... Ainda assim me vêm uma dúvida que incomoda feito cueca pequena: Será que o Hitler sentiu-se culpado por tudo que fez ao menos quando estava se exaurindo pela morte? Humanamente é difícil demais pra mim, dizer se essa probabilidade de sentimento de culpa valeu algo para a humanidade. Mais creio sinceramente que pra ele traria uma morte mais aliviada, e a reconciliação dele com ele mesmo.

O décimo quarto livro mais vendido no mundo, é o livro de auto-ajuda O Alquimista, que vendeu 65 milhões de cópias. Lido por celebridades como Will Smith, Madonna e por Chelsea (filha da candidata à presidência dos EUA, Hillary Clinton). E escrito pelo conterrâneo brasileiro Paulo Coelho.

Nada declaro quanto a leitura deste tipo de livro pelo talentosíssimo Will Smith e prefiro não perder muito tempo citando a Madonna. Mas vale a pena falar sobre a questionabilidade da funcionalidade dos livros de “auto-ajuda” e sua eficácia em relação a sua leitura pela Madonna.

Talvez a leitura de auto-ajuda tenha funcionado muito bem à Chelsea. Pois após a “galhada”, a“golada” e vice-versa, tudo anunciado pela mídia em todo o mundo, foi necessário mesmo muita auto-ajuda para superar o ocorrido. Mesmo depois das declarações do amado pai que tentava a todo preço explicar que “aquilo” não era bem “aquilo outro”. Aquela moça alí de joelhos oferecendo-o alívio a um dia estressantissimo de trabalho... Moça muí prendada. Grandiosamente dedicada a sua função. Função?! Qual?! A de amante, segundo Clinton era só intriga da oposição. E minha também?! Pois alí, diante dos meus olhos, da filha e esposa dele, estava tudo muito infelizmente claro. E quão infelizes foram as desculpas engolidas pela pobre Chelsea Clinton.

A mãe engolindo desculpas ficou com a imagem afetada - que se desafetou nas prévias para a eleição à presidente da casa branca. A outra engoliu outras coisas e enriqueceu. Que mundo estranho, não é mesmo?

É o ser humano encurralado como Bill Clinton. Sem saber a quem recorrer.

Esse dias assisti em um jornal local de Brasília sobre a máfia dos cemitérios, funerárias e afins. Causou-me obscuro espanto saber que tem gente que lucra(e muito) com a morte alheia. Acho que aquela tal “Funerária Boa Morte, seu falecimento é nossa alegria” foi enfim inaugurada.

Por que não lucrar também com os conflitos internos e desatinos do ser humano? Se existe um público alvo, se existe um sistema viceralmente capitalista(capitalismo que um dia o claramente esquecido Paulo Coelho combateu), por que não um produto?! Grandes mentes sempre têm grandes idéias.

Por um lado é bom ver que os da plebe - como eu - tem se interessado mais pela leitura, crescendo intectualmente e escapando da esfera alienativa que outrora os sufocavam. Mas e a burguesia??? A burguesia é que tem buscado incessantemente livros de auto-ajuda. A plebe lê oque lhe vier as mãos. É evidente que a prioridade da plebe não é o crescimente intelectual e sim a sobrevivência. Mas nada tem perdido em não poder ler livros de auto-ajuda.

Pessimismos à parte, não entendo como o ser humano tem tantas dificuldades em olhar para o caminho. Que creio eu é a única forma capaz de trazê-lo a redenção para todos os seus conflitos internos. Sim, de fatos somos capazes de muitas coisas, mais se retirarmos o egocêntrismo da cena achando que somos auto-isso e auto-aquilo, auto-limpantes, auto-“ajudantes”... seremos muito mais capazes.

Ao mudar o foco do sofrimento, saí de cena a necessidade da auto-ajuda. Quando compreendemos o sofrimento como aprendizangem pura e simples aprendemos a traspassa-lo de forma mais natural. Sabendo que ele é mesmo inevitável a qualquer um. Até o “Homi” lá de cima sofre. Oque poderia-nos fazer eximes a isto?

Juntos, dividindo as alegrias e tristezas, somos capazes de ir mais lonje. Mais se excluírmos aquele que está conosco no caminho, não como mero espectador mas como aquele que nos ajuda a levantar das quedas durante o percurso, nenhum ajuntamento valerá. O caminho está logo aí. A portinha de entrada que leva ao caminho é de fato bem estreita e difícil de passar. Mas por experiência própria digo que muito mais me vale estar caminhando, caindo e levantando sobre ele, do que me prostrar às ilusões impostas por este mundo.

Auto-ajuda? Melhor não. Prefiro: Deus-ajuda-quem-cedo-madruga; Deus-ajuda-aquele-que-luta; Deus-ajuda-até-quem-lê-auto-ajuda; Deus-ajuda... sempre!


Um grande abraço!
Henrique Lemos




P.S.: Desculpem-me pelos prováveis erros gramáticais e ortográficos. Não pude contar com a revisão minha amada corretora e sem ela nada saí muito bom.